quarta-feira, 26 de agosto de 2020

A maior lacuna do ensino universitário na UBI, nos anos 80











Há um par de dias atrás falando com o Nuno Ramos a propósito de comemoração do aniversário da página dos Encontros Ubianos e de como continuar a atrair novos e da velha guarda estudantes universitários da UBI,em torno deste objectivo comum da promoção da nostalgia, memória e espírito Ubianos, resolvi escrever estas linhas por achar que vinham a talho de foice para esse marco histórico de um ano volvido sobre a data da criação das plataformas digitais para difusão desse espírito académico tão marcante nessa época. E porque de plataformas digitais se trata, trouxe-me á lembrança talvez aquela que no meu humilde diagnostico organizacional, foi identificada como a maior lacuna do ensino universitário da UBI, nesses distantes anos: - o facto reconhecido e aceite de entre tanto conhecimento e fervor pedagógico da classe docente e discente,e demais população universitária não nos ter nunca preparado para o impacto tecnológico a que hoje assistimos com a proliferação das redes sociais, das consolas, dos telemóveis inteligentes e de uma maneira geral, para a utilização da tecnologia como suporte da vida quotidiana e no que isso afecta a personalidade de cada um. Pareceu-me assim indubitavelmente, que seria um bom tema para comemorarmos condignamente esta efeméride iniciada pelo Nuno e abraçada por todos nós orgulhosos Ubianos e para cujo crescimento temos vindo a contribuir.

Bom, e uma lacuna porquê? Porquê falar de algo que falta ou que não está bem,num dia que é suposto ser de comemoração,júbilo e alegria?E será que todos acham o mesmo ou haverá quem identifique outras maiores? Na minha modesta opinião, parece-me que não haverá maior lacuna de conhecimento do qual fomos todos privados por termos estudado á época em que não faziam falta quaisquer plataformas digitais.

Afinal, quem é que deixou de acabar o curso por não existir á época, o Facebook? Ou o Twitter? Ou quem concluiu o curso com maior distinção por ter acesso a informação contida nas redes sociais ou por ter trocado informação com outros internautas por essa via? Ninguém certamente, pois á data não havia FB nem Twitter nem outra coisa qualquer. Quem deixou de ir á loja fazer compras para passar a comprar no FB Marketplace ou nos OLX,ou nos VIBBO, ou noutros sites quaisquer de compra e venda?Ninguém, ninguém e mais ninguém!! Ninguém perdia tempo com isso nessa época!!”NÃ HAVIA”(alentejano), “ Niente”, “Bola”!!! para dar todos os sinónimos de “Zero”, muito em voga hoje em dia!

Algumas explicações para esse “fenómeno” residiam no facto de não termos sido induzidos a pensar que essa época estaria mais próxima do que muitos, mais futurologistas, anteviam! Achava-se que a tecnologia viria,como se de uma profecia se tratasse, mas seria no ano 2000, com o passar do milénio!Em 2000 poderiamos teletransportar-nos para qualquer estância para disíaca de férias, ao pressionar um botão e os carros tais como os conhecemos não existiriam, pois andariam todos no ar! Depositava-se muita esperança tecnológica nesse ano, muito por culpa das séries de ficção que víamos na TV.Já há muitos anos que vínhamos a ser induzidos a pensar nesse futuro tecnológico (quem não se lembra das séries do Espaço 1999 onde já havia naves espaciais e tecnologia a rodos para todos percebermos que havia toda uma conquista tecnológica pela frente! E mais tarde do “Caminho das Estrelas”, onde além das orelhas do Spock a tecnologia era toda “friendly user” e bem “cool”!!), para muitos ainda a muitos anos-luz de distância dos anos 80, que naturalmente eram anos mais apagados qualquer que fosse o ângulo de análise.

Eram anos mais apagados mas mais felizes também!! Oh, se eram anos felizes!! Senão vejamos: 1) Éramos todos mais novos,catraios e catraias cheios de sede de conhecimento e vontade de aprender e de sermos todos doutores, doutoras, engenheiros e engenheiras.Uns mais do que outros estudávamos QB (quanto baste) como o sal na comida. 2) Por causa do ponto 1) tínhamos grandes ambições na vida universitária e nas possibilidades que essa vida apresentava, depois de passarmos pelos bancos da UBI. Promessas assentes na ilusão de alguns de nós estudantes com nobres pensamentos do tipo: “quando sair para o mercado de trabalho, aquilo é que vai ser,é só abanar o canudo e pedir 5000 de salário, um gabinete e uma secretária!! Afinal sou um engenheiro, e a malta vai-me toda prestar vassalagem”, Ou outros que pensavam “quando sair daqui finalmente posso tomar conta da empresa ou do negócio do meu pai” (certo dia confrontei alguém que se saiu com este pensamento durante uma viagem, ao meu lado, e tendo ficado um pouco chocado, acabei a dizer-lhe: “peraí, então mas tu vens para a universidade tirar um curso superior, durante cinco anos para ficares á frente do negócio da família!????” Não precisas, pois certamente o teu pai ou irmão um dia te farão herdeiro e gestor do negócio!!”, “Ou se é para fazer umas escritazinhas e ter um escritório de contabilidade (argumentação auto-motivacional que também se ouvia muito,nesses tempos!) não é preciso vires tirar um curso de Gestão de Empresas para a UBI”!! Enfim andava muita gente enganada a frequentar a UBI desses anos no que toca ás motivações e aos propósitos da frequência universitária.

Lembro-me que em simultâneo também se conseguiam identificar outros grupos de tendências motivacionais para a desejada frequência universitária e da vida académica: Havia quem evidenciasse que “ando na Universidade para os pais não chatearem, não importa o curso, é preciso é ser doutor e se não gostar no final do ano, troco e vou para o Técnico!” e também quem claramente andava na Universidade para “ a par do curso arranjar marido ou esposa, para a vida!!”. Éramos uma grande família e uma família das boas, firme e consolidada,mas onde proliferava a liberdade de escolha e onde imperava a diversidade de opiniões, experiências e motivações. Como já anteriormente dizia, eram tempos e reminiscências ainda muito frescas do pós-Abril. Divertíamo-nos todos á grande e “á portuguesa”, festas contínuas que pareciam fazer de todas as vulgares semanas, semanas académicas. Lá nos íamos conhecendo uns aos outros, partilhando cafés no bar, boleias para casa aos fins de semana (era o verdadeiro “carpooling”, já na altura!) ou jogos de cartas nas lentas viagens de comboio de e para a Covilhã, ou na “sueca” nas noites de estudo em casa de colegas, quando nos aborrecíamos com a dificuldade dos exercícios. Comíamos lanches e sandes que fazíamos para levar para os poços das Penhas onde íamos a banhos, fazíamos caminhadas na neve para subir ao Cântaro Gordo, Piqueniques e acampamentos no meio dos turistas, no Covão da Ametade,tardes de Ski, na Torre ou testávamos as habilidades ao volante nas primeiras neves e no gelo no Centro de Limpeza da Neve nos Piornos.Víamos as rampas da Covilhã todas na íntegra, dos treinos livres á última subida oficial,tirávamos alguns dias de estudo para fazer “uma vaquinha” e com as primeiras experiências de logística de viagem, íamos ver os principais ralis do campeonato e romávamos sagradamente anualmente ao Rali de Portugal.

Comíamos razoavelmente bem, ríamo-nos como uns perdidos sempre que havia partidas ou praxes na Residência ou numa qualquer rua da Covilhã. Conhecíamos a gastronomia e as discotecas do Ourondo, do Fundão, de Castelo Branco, da Covilhã, os bares da Guarda, e alguns de nós já então alargavam os horizontes ás discotecas de Salamanca.Comíamos magustos de castanhas em Setembro, na esquadra da PSP, até ás tantas da noite, em grande cavaqueira com o comissário e outros agentes que acarinhavam os estudantes universitários da sua cidade, num hino ao bem receber da cordialidade das gentes beirãs. Cozinhávamos para as amigas que convidávamos a provar os petiscos que fazíamos (e para estudar, muito estudo, muito estudo!!) Bebíamos cerveja ou finos com groselha e panachés no Primor, no Montalto ou mais tarde no Fora d´’Horas, ordeiramente ao som de boa música até ás quinhentas da manhã, quando íamos á padaria da Rua da Indústria comprar ás dúzias de natas quentinhas e carcaças estaladiças acabadinhas de fazer.Quem tinha, ou passou a ter (depois de arranjar), ia á noite esperar a namorada ou o namorado ao Expresso da Joalto ou da Rodoviária,na altura, em frente das arcadas da Câmara Municipal ainda com o largo amplo e transitável.Iamos com os amigos, amigas ou namoradas ao cinema ver filmes que já andavam há uns anos nos circuitos comerciais! Gostávamos daquilo! Eram anos de “uma grande colheita”, e apesar de tudo estávamos lá para frequentar a universidade e nos licenciarmos, o que todos conseguimos fazer.

Eram anos tão bons e com tão óptimas recordações que já me esqueci do que queria dizera seguir!! ………..Ah! Já sei!!...... E onde é que estava o Facebook? E o Twitter? E o Instagram? Whatsapp? Tik Tok? E o Google ou o Messenger? Simplesmente não havia, e por isso não estávamos preparados para o impacto que aí veio a seguir-se. Não andávamos pendurados em smartphones, mas antes andávamos atentos a tudo o que nos rodeava, a desfrutar cada experiência e minuto de vida universitária!Também não havia ainda grandes telemóveis XPTO e os que havia serviam para fazer chamadas apenas e só!. Vi os primeiros na mão de um professor,daqueles do tamanho de uma mala, que se extraía da consola central dos BMW ou de outros carros de topo de gama, e que pesava aí uns 4 ou 5 Kg! Eu tive um dos primeiros verdadeiramente portáteis que apareceu um Motorola com razoável autonomia e pesado como o chumbo, mais ou menos do tamanho de um tijolo refractário. Que aliás tanto quanto me lembro obviamente também só utilizava para telefonar, a maior parte das vezes para casa, e á medida que alguns poucos amigos iam tendo telemóvel também para eles!.Raro muito raro de utilizar, até porque ainda tinha pouca autonomia e era preciso uma gestão minuciosa da bateria!!Eh!eh!Uma máquina infernal!!

Sempre achei “porreiro” o facto de termos tecnologia nas mãos, que fomos aprendendo a utilizar aos empurrões por nos recusarmos a ler previamente os manuais de utilizador! No entanto, outro dos aspectos para o qual nunca fomos alertados pelos nossos docentes enquanto frequentávamos as suas disciplinas, foi para a revolução linguística que o impacto dessa tecnologia iria trazer nas nossas vidas e na nossa formação enquanto pessoas e universitários culturalmente bem desenvolvidos. Ao entrar na UBI, todos mesmo os que vinham do Norte, ou de Mirandela,ou da Madeira e Açores, vínhamos bem formados dos tempos de liceu, e a falar e escrever bom português gramaticalmente correcto.Sabíamos o que era um dicionário e a tabuada! Pelo meio dos anos de vida universitária começava a falar-se na introdução do novo acordo ortográfico, e perspectivava-se que todos começássemos a falar brasileiro de Portugal, por oposição ao português do Brasil. Era a nova moda, cuja tendência agradava a uns mas deixava outros indiferentes com o “fato”, mantendo o “facto”, para não se confundir com a peça de vestuário.”Octavio” agora era “Otavio” e mais tarde, muito mais tarde “matraquilhos” passou a ser “pingolin”!! Igualmente,termos como “producção”,”ficção”,”dicção” ,”actualidade”, passaram a ser “Produção”,”fição”, “dição”,”atualidade”. Não estávamos preparados para esta mudança, pois ninguém anteviu ou preparou conhecimento para noas ajudar a enfrentar isto, no meio universitário.Ainda para mais porque queriam forçar coercivamente, maioritariamente alunos de engenharias a absorver as suas matérias num novo português, da treta, que muitos tal como eu fizeram por ignorar dado o carácter facultativo do acordo. Nesses tal como em mim o impacto não foi muito! Ainda assim nunca me senti preparado para largar o dicionário e escrever preguiçosamente como se fala, depois de beber quiçá uma ou duas cachaças e um chôpe traçado. Até porque a supressão dos “C” na maior parte das palavras, que foi talvez a alteração mais visível desse acordo, não se aplicou a todas as palavras, nem simplificou outras mais elaboradas. Por exemplo não parece que a palavra “ aralho” que definitivamente perdeu o “c” , conste do vocabulário das terras de Pedro Álvares Abral, antes é mais uma expressão fanhosa da cultura das nossas gentes. Por isso e infelizmente sempre senti não ter sido preparado para entender este apenas “meio acordo” ortográfico.Já não pensaria o mesmo se palavras como “Otorrinolaringologista” tivessem sido alvo de simplificação, mas sabe-se hoje que amargamente depois do tal meio acordo ainda é tão difícil pronunciar como era dantes!

Naturalmente quando este fenómeno se deu, nem eu nem o meu telemóvel, na altura a frequentarmos ambos a UBI, estávamos preparados para isto!!!

Nem para isto nem para o que se passou a seguir, anos mais tarde, primeiro com o aparecimento das consolas e depois com a vulgarização dos smartphones, alguns dos quais bastante impactantes na personalidade do indivíduo por serem inclusivamente mais inteligentes do que os donos. Outra das grandes lacunas para as quais ninguém na UBI de então fora avisado! Ainda mais nocivo do que o acordo ortográfico, foi o fenómeno combinado da preguiça, ignorância linguística e dedilhar rápido,agravado pelo fenómeno da tecnologia com activação por voz. Então para isto é que ninguém foi preparado!! Esta sim foi a maior lacuna que atravessou transversal e longitudinalmente,os anos 80 até aos dias de hoje, onde apesar de grandes marcos tecnológicos e da conquista aerospacial, a população universitária da UBI sofreu um impacto tremendo com efeitos psicológicos e provocou barreiras ao nível da comunicação. Ninguém estaava preparado para mensagens do tipo “Tou a kurtir boé” ou “O ké k se kome na kantina hj?” ou um mais socialmente aceitável: “Tásse bem bro,no prob!!”.

Com estas expressões assistir-se-á num futuro próximo ao reescrever das sebentas académicas, das Letras á Gestão, até ás Engenharias! Numa abordagem visionária parece-me que será tão difícil entender as matérias que teremos que ter um tradutor de voz, daí a tecnologia tendencialmente se inclinar para o reconhecimento da voz. Também será impossível reconhecer os colegas, pois com toda a gente a escrever assim tão mal, o que der mais erros é o Alberto e o que ficar a seguir é o Amílcar e assim sucessivamente até chegar ao último da lista, burro,o Zacarias,que não sabe escrever com “k”s em vez de “quê”!Mesmo a voz se for programada para reconhecer construção de frases gramaticalmente correctas, quando alguém disser “ abre k já tou late” vai fazer com que a porta permaneça fechada para irritação do dono da voz! Decididamente alguém se sente preparado para isto?Parece-me bem que não!!

E voltando ao FB, ao Twitter e ás outras redes sociais, alguém que tenha estado nos saudosos anos 80 na UBI sentirá verdadeiramente a falta das plataformas digitais??Quem consegue ir tomar um café com um amigo a escrever no Facebook? Ou jogar ténis, como fazíamos no Clube de Campo, através do Twitter?E quem consegue estar a beber uma cerveja com um grupo de amigos através do Instagram? Ou mudar o furo do pneu do carro com a namorada,pelo Whatsapp? Ou comer um churrasco através do Tik Tok? Esta é a verdade das redes sociais, servem apenas para encontrarmos e mantermos contactos com os amigos Ubianos e outros, á distância. E para compreendermos o conceito de “ronda” tão popular entre os guardas nocturnos! Senão vejamos, antes do FB, não conseguiria estar ás 8 da noite no Canadá a falar com o Nuno Ramos á uma e meia da manhã do dia seguinte, na Covilhã! Era impensável, antes de existir o FB sairmos á 1:30h da manhã de casa para irmos bater á porta do Nuno Ramos ou de outro qualquer colega se nos apetecesse falar com ele. Ou com o Gondri a levantar-se ás 8 da manhã para ir trabalhar em Famalicão enquanto me preparo para ir dormir ás 4:00 da manhã em Ottawa. Por muito que quisesse falar com ele não sairia a essa hora de casa! O FB e redes sociais tem isso de fantástico, entre outras virtudes. A ferramenta tem utilidade quando temos objectivos e nos permite a essa hora fazer uma ronda pelos amigos do FB e ver quantos estão activos ou acordados e conseguimos chatear áquela hora! Não há preço que pague isso!Eh!eh! A outra coisa boa é que te podem sempre mandar dar uma curva ou simplesmente desligar. Por isso as amizades se vão mantendo especialmente se a ferramenta for utilizada respeitosamente e sem pôr em causa as liberdades individuais de cada um ou a maneira como está vestido para ir trabalhar enquanto responde á mensagem no Messenger ou ao comentário jocoso e sem maldade no FB.Antes nos 80, quando nos chateávamos com alguém não havia botão para desligar! É ou não é fantástica esta tecnologia?? Por isso ainda que não fizesse falta nos 80 para nos podermos combinar um encontro no Uno e nos divertirmos com os amigos ou para estar com as namoradas,em amena cavaqueira, o FB hoje permite aproximar-nos de alguém que está a 7700km de distância, apenas á distância de um click.Há regras no entanto que devem continuar a ser observadas, pois é um lugar público onde devemos ter cuidado ao escrever um post e não devemos mandar um amigo para aquele sítio, correndo o risco de levar um estaladão se com ele estivéssemos nesse momento fisicamente.Algumas pessoas parecem esquecer isso apenas e só porque estão a comunicar á distância! Daí á chatice e ao voltar das costas informático (por não podermos dar a tal estalada!), é um passo muito pequeno!Assim a primeira regra é o respeito pelos outros, de modo a manter a conversa num nível saudável e incapaz de ferir sensibilidades,o qual deve ser o mesmo de antigamente quando nos encontrávamos fisicamente para beber um copo num lugar público!A segunda que muita gente também parece esquecer, é aquela que diz que devemos primar pela qualidade e não pela quantidade, na forma como interagimos através das redes sociais.Ou seja, não nos devemos dispersar por várias redes sociais, se verdadeiramente não temos tempo para nos dedicarmos razoavelmente a nenhuma delas! Eu só estou numa e já é difícil arranjar tempo suficiente para me concentrar nessa e nas pessoas que dela fazem parte. Felizmente todos os amigos estão lá também!Mas ao contrário do que se passava nos “Eighties” em que íamos ás festas todas, hoje fazer parte de várias redes sociais e plataformas, faz-nos dispersar e não ter tempo para nos dedicarmos verdadeiramente e focarmo-nos numa delas o tempo suficiente para uma presença assídua e manter o contacto, seja constante ou mais esporádico. A menos que estar nas redes sociais seja uma prioridade ou um modo de vida profissional, o que acontecerá com muito poucos de nós. Por isso mais vale uma rede social bem frequentada do que duas ou três “a voar”, por onde passamos apenas muito,mas muito raramente!

Por isso as plataformas digitais dos Encontros Ubianos devem ser participadas e crescer para acrescentar essas amizades e nomes dos antigos alunos á volta do espírito Ubiano de então e transportá-lo para a actualidade através da partilha de histórias e experiências ou tão somente estabelecer algumas conversas e “conversetas” entre quem já há muito tempo não se via ou revia!É uma coisa do género: “Diz-me por onde é que andas, porra, e o que andas a fazer!!”Ou “Gosto de ti,porra! O que é que fazes da vida!??”Ou apenas postar algum acontecimento e sentimentos em torno do que era o espírito Ubiano de então e partilhá-lo com a actual geração de estudantes Ubianos. Os tais que por pertencerem á geração “millenial” perderam todo o gozo, emoção,grande partilha e cumplicidades da academia dos 80.

Por isso, a comemoração desta data deve ser grande e enaltecida pelo esforço de alguns para que a ideia tivesse sido lançada, ganhasse corpo e maturidade e crescesse,fazendo destas plataformas um local de reunião, convívio e local de chamada para o ponto de encontro das actividades que se têm vindo e irão continuar a desenvolver! Ao mentor e fundador destas plataformas há que dar todo o mérito pelo empenho em dar voz á UBI, através dos contributos de todos e de cada um de nós, professores, pessoal auxiliar, alunos que estou certo encontrarão sempre no Facebook ou no Blogue dos Encontros Ubianos um motivo para sorrirem de boa disposição e partilharem o verdadeiro espírito Ubiano que a todos que por lá passámos orgulhosamente nos enche de vaidade e profunda auto-estima.

Quando se tenta encontrar colegas aos quais por diversas razões se perdeu o rasto, ainda que alguns por vezes não queiram ser encontrados ou já não se sintam com ligações fortes á Covilhã, torna-se necessário trazer novamente esses para o convívio, voltando a despertar o espírito Ubiano. Não importa qual a rede social ou plataforma social com que se sintam mais identificados!Tal como o ditado diz “bom filho a casa torna!” esse deve ser o espírito e a motivação de quem um dia connosco dividiu os bancos da Universidade da Beira Interior.

Acabo dizendo que em 2008 organizei o primeiro Encontro de Engenheiros Têxteis, na altura com as dificuldades acrescidas de tentar localizar e convidar ex- alunos e colegas de curso, para um convívio na Natureza, recorrendo a chamadas telefónicas directas cujos contactos foram sendo complementados pelos colegas que conheciam o paradeiro do colega e esse conhecia o paradeiro do outro colega, ou o seu número de telefone, e assim sucessivamente se construir uma pequena base de dados actualizada que actualmente serviu de base também á criação dos Encontros Ubianos. Da Internet, na altura conseguiram-se apenas alguns endereços de correio electrónico! Não havia redes sociais ainda nessa época,o que teria sido fantástico para reduzir os custos e a logística da organização. Sempre pensei como teria sido então diferente e mais fácil contactar,convidar e reunir todos aqueles colegas de curso, professores, etc, que aderiram á iniciativa e se reencontraram depois de quase 15 anos para um salutar convívio. É o que se pretende com as plataformas agora criadas pelo Nuno que todos deveremos alimentar, com a nossa presença e com o nosso contributo enriquecendo o grupo que se pretende o mais alargado e abrangente possível, para permitir o contacto fácil ainda que a 7700kms de distância e ás 4:00 da manhã!Eh!eh!Ou sempre que nos apeteça!.... E continuarmos a acompanhar o quotidiano institucional da nossa UBI….E responder aos convites para as iniciativas que se venham a organizar no futuro, e onde vamos poder tocar-nos, rir, dançar, beber, almoçar, beber, voltar a beber, voltar a dançar, ……e revermo-nos á volta do revisitar das histórias da Academia…. (sem ser através de plataformas digitais!!!!). É esse o famoso,enaltecido e acarinhado “Espírito Ubiano” que é necessário,com o contributo de todos, preservar! Preservar também para memória futura e transmissão posterior ás actuais e nova gerações de “Ubiversitários”! Para isso sim é para o que servem as redes sociais e a página que agora comemora o seu aniversário.Que a este se sigam outros mais ano após ano.

Da minha parte fica o agradecimento pela iniciativa e espero que no próximo ano haja mais envolvidos para sermos mais activos e participativos nas actividades que certamente se seguirão.

Abraço Ubiano

João Leonardo


1 comentário:

Gondri disse...

Mais uma grande crónica do nosso estimado cronista João Leonardo.