quarta-feira, 29 de abril de 2020

O Caminho faz-se caminhando ...


Para se chegar a algum lado, tem de se iniciar o caminho …

O texto sobre a UBI, mereceu do meu colega e amigo António Pinheiro, o seguinte comentário…

 As comparações que referes têm um factor de desequilíbrio que não estás a considerar e que tem um peso enorme, independentemente de outras razões que eventualmente existam: a demografia. Infelizmente a UBI está numa região onde não há quase ninguém. Há estudos demográficos que até apontariam para um sucesso muito improvável considerando o número de estudantes locais que são possíveis de captar. No sentido oposto, comparas a UBI com uma instituição que só está na região mais jovem da europa... Depois há outras factores que influenciam, mas que não vou considerar agora.

Comentário que agradeço mas que, mais que uma resposta, merecerá uma reflexão…

1-       Infelizmente a UBI está numa região onde não há quase ninguém.

Curiosamente, esta mesma região, tão orgulhosa da sua história que se nomeou, em tempos, de “Manchester Portuguesa”.
Curiosamente, esta mesma região, que, em tempos, se arrogou a têr o melhor curso do País, agora, coloca as suas parcas empresas, sem “mão de obra” especializada.
Curiosamente, esta mesma região tem uma Universidade que “convida” estudantes de todo o País, a se deslocarem para junto de si. Porque não aproveita esse potencial, para além da própria academia ?

2-       Há estudos demográficos que até apontariam para um sucesso muito improvável considerando o número de estudantes locais que são possíveis de captar

Quem, como eu, viveu a UBI, não estranha a tua afirmação, embora lamente que, nestes mais de 35 anos de vida, o conceito redutor de diferenciação qualitativa entre “estudantes locais” e “estrangeiros” se mantenha com a acuidade e importância que a tua referência denota.
Eventualmente, dessa “dicotomia” tão pouco esclarecida, resulte parte do problema.

3-       No sentido oposto, comparas a UBI com uma instituição que só está na região mais jovem da europa...

Se ao longo da sua história, como a U.M. se tivesse criado condições para reter, na região, grande parte dos seus alunos, licenciados ou não, locais ou não, eventualmente, nenhuma das tuas afirmações, aqui contestadas, careceriam de existir…

Lidar com “massa crítica” não é fácil e, para alguns, eventualmente será problemático.

O “tradicional” conceito de sermos os melhores da nossa rua, não serve mais pois, outros, partirão, levando a sua competência a outras ruas e, rapidamente, “aquela” rua que era a principal, passa a secundária, a limítrofe, a ruela, a caminho…

Como já o disse, desejo sinceramente que as memórias que por aqui passam, sirvam de motivação, num “arrepiar caminho” e que a soberba, baseada no passado e na história, se dilua numa ambição, de fazer futuro

Porque o caminho faz-se caminhando …

Vasco Silva

2 comentários:

Gondri disse...

Ainda bem que podemos contar com as reflexões pragmáticas e bem fundamentadas do Vasco sobre a realidade da Beira Interior. Eu sou um defensor incondicional do interior a quem repugna a centralização de tudo na capital, mas tenho uma visão muito geral e romântica das coisas. O Vasco, no entanto, é analítico e incisivo na identificação dos problemas reais e abre com grande clarividência uma discussão estratégica para o futuro. Bem haja por isso.

Vasco Silva disse...

Obrigado Gondri
Espero que tais considerações sirvam efectivamente, para uma reflexão e não, exclusivamente, como polémica gratuita ...